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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Irregularidade, a marca dos Clarets

Autor: Gilmar Siqueira ás 10:20

Jay Rodríguez foi uma das principais "marcas" da evolução.

O mês de agosto não foi tão bom assim para o Burnley, que não começou bem a temporada e dependia demais dos gols de Charlie Austin. Até mesmo o trabalho de Eddie Howe começou a ser contestado por alguns (o que me intriga muito). As coisas só começaram a mudar nos dois últimos jogos, quando os Clarets venceram.

No post anterior, eu dizia que o ponto fraco deste time do Burnley era a defesa e o meio-campo às vezes se desequilibrava, deixando quase que total responsabilidade para o ataque -principalmente para Austin. Em suma, o time não era compacto, o que dificultava tanto para atacar quanto para defender.

Vendo isso, Howe fez o possível para mudar as coisas, a começar pela defesa. O irregular Ben Mee deu lugar ao grandalhão André Amougou, que mostrou muito mais entrosamento com o xerifão David Edgar na zaga. Outro problema que saltava à vista na primeira linha de 4 era a "avenida" nas costas de Kieran Trippier. Para corrigir isso, Howe simplesmente exigiu mais marcação da segunda linha de 4, o que surtiu efeito melhor do que o esperado.

Na faixa central havia uma certa disparidade entre Dean Marney e Chris McCann, que não formavam uma perfeita dupla de centrais. Foi aí que surgiu a figura de Marvin Bartley, um centre midfielder completo, que passou a ser chamado pelos torcedores do Burnley de "novo Patrick Vieira". McCann atuava quase como um "10", mas foi recuado estrategicamente.

Uma coisa ainda gera dúvidas neste time, se Trippier apoia tão bem, por que não fazer com que ele atue no lado direito do meio, como right winger? Talvez a resposta esteja no próprio elenco, pois Ross Wallace faz uma ótima temporada. No flanco esquerdo a chegada de Junior Stanislas foi vital, já que ele contribuiu demais com a evolução dos Clarets.

É preciso destacar dois pontos diferentes das duas últimas vitórias do Burnley, sobre Nottingham Forest e Millwall, respectivamente. Contra o Forest foi uma goleada histórica (5x1), onde Jay Rodríguez finalmente desencantou deixando 2 gols e provando que pode formar a dupla de ataque perfeita com Charlie Austin. Já contra os Lions, o Burnley venceu "apenas" por 1x0, mas finalmente passou uma enorme segurança defensiva, não sofrendo gols.

Parece que a confiança voltou. O time não perde há três jogos, goleou, não sofreu gol e tem se mostrado bastante sólido. O adiamento da rodada da Championship neste fim de semana graças à data FIFA não agradou a torcida e a ansiedade toma conta de todos. Clarets já contam os dias para a próxima rodada.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Contrariando as expectativas, Burnley não começa bem a temporada

Autor: Gilmar Siqueira ás 15:55

Por: Gilmar Siqueira (@GilmarSiqueira)
Direto da Redação
Jaboti/PR

Eddie Howe aplaude o time após a vitória contra o Derby.

Acho que todos esperavam que o Burnley começasse muito bem a temporada, ao lado de West Ham, Leicester e Southampton, mas não foi bem isso que aconteceu. Em 4 rodadas, os Clarets só venceram uma vez na Championship. Em compensação, na Carling Cup a equipe passou por Burton e Barnet e enfrentará o MK Dons na terceira rodada.

Até agora, foram dois empates, uma derrota e uma vitória, sendo 6 gols sofridos e 5 marcados. Destes 5 gols, 4 foram de Charlie Austin. Estes números dizem muita coisa sobre os Clarets nesta temporada. Salta à vista que o ponto forte deste time é o ataque e "o cara" é Austin, que perdeu boa parte da última temporada devido à uma lesão.

Não dá para se dizer que Eddie Howe está com dificuldades para armar o time, porque isso não é verdade. O inglês de 33 anos tem em mente o esquema que utiliza desde a sua chegada: o 4-4-2. O problema é que sucessivas falhas acontecem em alguns setores.

Na lateral-direita, por exemplo, o jovem Kieran Trippier apoia com uma qualidade impressionante, tanto que já chegou a dar assistências para Austin, mas acaba pecando muito na marcação. Analisando os gols sofridos pelo Burnley, fica evidente que a maioria deles resultaram de contra-ataques pelo lado do garoto emprestado pelo Manchester City.

Os Clarets são uma equipe que quase sempre mantém a posse de bola, seu estilo de jogo é assim e Howe faz questão de preservar isso, o problema é a marcação. A melhor forma de se jogar contra este time é dando-lhes a posse de bola e contra-atacando.

Há de se destacar que o 4-4-2 utilizado por Howe não é ortodoxo e pode ser melhor descrito como 4-1-3-2, tendo Dean Marney como principal homem de marcação, já que Chris McCann frequenta demais os 3/4 do campo. Pelos flancos atuam Keith Treacy e Ross Wallace, que também deixam a desejar no aspecto defensivo.

Isso deixa o Burnley muito forte quando ataca, mas frágil quando precisa recompor sua defesa rapidamente. A situação só piora quando a fase dos zagueiros -Ben Mee e David Edgar- não é muito boa. Assim, o ponto fraco deste time é mais do que evidente.

Por outro lado, como já mencionei, o Burnley tem um dos artilheiros desta Championship, Charlie Austin, que marcou praticamente todos os gols do clube na divisão. A versatilidade dele e de Jay Rodríguez torna a dupla de ataque dos Clarets uma das mais interessantes de se ver e mais difíceis de se marcar.

A vitória contra o Derby County, que foi primeira na Championship, pode ter sido "divisor de águas" para o Burnley, já que o jogo foi em Pride Park e o Derby vinha com 100% de aproveitamento. Nem preciso dizer que a estrela de Charlie Austin brilhou de novo, pois ele marcou dois gols.

Ainda é cedo para dizer que estes erros prejudicarão os Clarets em toda a temporada, até porque conhecemos a qualidade de Eddie Howe e temos certeza de que ele está trabalhando para corrigir seu time, a prova disso foi o próprio jogo contra o Derby.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Expectativas para 2011-2012: Championship

Autor: Almir Junior ás 09:54

Por: Gilmar Siqueira (@GilmarSiqueira)
Direto da Redação
Jaboti/PR
Na última temporada, deu QPR. E agora?. Foto: PA Photos

No próximo fim de semana começará a temporada da Championship e, como sempre, temos muitas expectativas acerca das equipes, principalmente pela movimentação no mercado.

Favoritos

Antes de a bola rolar para valer, duas equipes estão despontando como as principais favoritas ao título: West Ham e Leicester. O primeiro veio da Premier League e já trouxe bons nomes para seu banco de reservas, tais como Kevin Nolan, Abdoulaye Faye e Matt Taylor.

Os comandados de Sam Allardyce perderam poucos jogadores (Demba Ba, Hitzlperger e Radoslav Kovac) e isso é um fator importantíssimo, já que o elenco está muito entrosado. A volta do West Ham é bastante provável. Já o título, não.

Os Hammers só não são os grandes candidatos ao título da temporada porque o Leicester se movimentou muito bem nesta janela, trazendo Kasper Schmeichel, Neil Dann, David Nugent, Matt Mills, Paul Konchesky, John Pantsil, Michael Johnson e Gelson Fernandes. Acrescentados a um time que já contava com Darius Vassell, Sol Bamba, Paul Gallagher e Andy King.

Sob o comando de Sven-Göran Eriksson, os Foxes até agora têm o melhor elenco da temporada, mas ainda geram dúvidas em algumas pessoas. Estas, que tendem a desaparecer com o começo da Championship.

Zona de play-offs

Que a Championship é um campeonato disputado não restam dúvidas. Portanto, os possíveis candidatos às quatro vagas nos play-offs são muitas.

Até agora Blackpool, Reading e Cardiff se mostram os mais capacitados. O Blackpool, recém rebaixado da Premier League, perdeu alguns jogadores, mas se reforçou da forma contundente para a disputa da segundona.

Ian Holloway sabe trabalhar na divisão e a baixos preços trouxe Bojan Djordjic, Kevin Phillips, Matt Hill, Gerardo Bruna, Barry Ferguson, Ángel Martínez e Craig Sutherland.

O Reading, que perdeu a última final dos play-offs para o Swansea, não contará mais com o capitão Matt Mills e para seu lugar trouxe Bongani Khumalo, emprestado pelo Tottenham.

À parte disso, não houveram grandes movimentações nos Royals. Exatamente por isso o time comandado por Brian McDermott vigora entre os favoritos para conseguir uma vaga nos play-offs.

O Cardiff City fez grandes movimentações, a começar pelo banco de reservas. Os Bluebirds demitiram o experiente Dave Jones e, para seu lugar trouxeram o jovem Malky Mackay, do Watford.

Para suprir as saídas de Craig Bellamy, Jay Bothroyd e Michael Chopra, Mackay procurou investir em Don Cowie, Robert Earnshaw, Aaron Gunnasson, Jose Mason, Filip Kiss e principalmente Kenny Miller.

Por todos estes nomes, muitos pensariam em colocar o time galês como um dos favoritos ao título, mas precisamos ter em mente que, além dos jogadores, Malky Mackay chegou agora ao banco de reservas do time e não tem outra experência gerencial além da obtida com o Watford.

Parte de baixo da tabela

Doncaster, Crystal Palace e Coventry têm os elencos mais "fracos" da Championship e são os "favoritos" ao descenso.

Vale destacar que, para esta temporada não há como citar times com grandes disparidades entre si, assim como foi no último campeonato. Tanto que o Doncaster, primeiro fora da zona de rebaixamento, terminou 6 pontos à frente do Preston, o primeiro na "região da degola".

Há algum tempo atrás, logo quando caíram, Portsmouth e Middlesbrough tinham, supostamente, enormes chances de retornar à Premier League. No entanto, seguem como grandes incógnitas.

Falar em rebaixamento é até um pouco de exagero, mas é preciso destacar que tanto o Pompey quanto o Boro não têm grandes elencos. O primeiro ainda por cima perdeu Michael Brown e David Nugent, seus principais jogadores.

Possíveis surpresas

Em 2010-2011 tivemos os três clubes que haviam subido da League One -Leeds, Norwich e Millwall- brigando no topo da tabela até o fim da temporada. O Norwich, inclusive, foi vice-campeão.

Para 2011-2012, a equipe que parece mais forte e pode até brigar por uma vaga nos play-offs (!!!) é o Southampton. O time comandado pelo ótimo Nigel Adkins conta com jogadores de muita qualidade, como Guly do Prado, Adam Lallana, Rickie Lambert, Alex Oxlade-Chamberlain e agora Jack Cork, contratado junto ao Chelsea.

O Peterborough chegou à Championship após vencer o Huddersfield na final dos play-offs da League One e foi tido como o time que mais encantou na "The Football League", isso por seu esquema ultra-ofensivo armado por Darren Ferguson, claramente inspirado no Barcelona.

Contudo, o Posh não contará com um dos principais jogadores de sua história na segundona, já que Craig Mackail-Smith foi vendido ao Brighton.

O Brighton, de Gus Poyet, foi o campeão da League One, mas é claramente o time com elenco mais limitado entre os três. Os Seagulls contrataram apenas para repor perdas de elenco. Saíram Glenn Murray, Elliott Bennett e Jimmy McNulty; chegaram Will Buckley, Kazenga LuaLua e Craig Mackail-Smith.

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A partir de hoje, Gilmar Siqueira, considerado um dos melhores especialistas em divisões inferiores da Inglaterra, começa a postar sua coluna, que falará sobre o mês do Burnley. Nesta primeira coluna, Gilmar analisa os adversários dos Clarets nessa Championship. 

Além do Burnley Brasil, Gilmar também posta no Football League Brasil (http://footballleaguebrasil.blogspot.com)